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ESTILO MEDITERRÂNEO
A tradição grega, ao lado
da tradição latina e a tradição
bíblico-cristã, foi um dos
elementos que definiram a Antiguidade tardia
no período entre os séculos
III e V. Com raízes fortificadas
que tratavam da Ética e da ação
racional, os ensinamentos gregos delinearam
a imagem ocidental do homem que foi resgatada
no humanismo do renascimento e suas três
dimensões: a espiritual, a transcendente
e a racional, fruto do conhecimento. Durante
muitos séculos os países
da área mediterrânea tinham
feito parte do Império Romano, divididos
entre zonas rurais e cidades prósperas,
estas últimas partilhando a cultura
grega e latina do Império. A tradição
greco-romana se dissolveu pelo mediterrâneo
até encontrar referências
islâmicas, sendo bem aceitável
uma estreita relação entre
estes dois mundos em constante transformação,
produtos de uma nova e original configuração
cultural, transportada também para
além-mar. Nos primeiros séculos
de nossa era, o mundo mediterrâneo
estava sendo invadido por toda sorte de
doutrinas e cultos religiosos de procedência
oriental. Já a fusão entre
o mundo bíblico-cristão e
o humanismo greco-romano, com possíveis
absorções orientais, foi
possível justamente pela idéia
maior da transcendência espiritual,
numa conversão que unia dois seres
absolutos.
A arquitetura se valia de uma comunicação
própria, podendo ser lida e compreendida
através de seus sinais em trânsito.
As casas árabes, por exemplo, eram
construídas para serem observadas
de dentro, a partir de seus pátios
internos, e não de fora. Os elementos
que realizavam a transição
entre estes dois espaços eram as
portas e as janelas, demonstrativos da
posição social do morador.
A porta era a principal característica
externa: feita de ferro ou madeira, com
batentes de pedra lavrada, e talvez uma
janela acima, da qual os que chegavam poderiam
ser vistos. As janelas eram vedadas com
folhas de madeira e como nos conta Hourani
(1994), chamava-se mashrabiyya o trabalho
em treliça que fora difundido no
Egito.
À
medida que as soluções arquitetônicas
vão se tornando uma linguagem comum
compreendida e utilizada por diferentes
culturas, adquirem também a amplitude
do domínio público. A distância
geográfica não é fator
de impedimento para a apropriação
e releitura de mensagens arquitetônicas
que se deslocam de posições
privilegiadas para atingirem o grande predomínio
que é traduzido pelo gosto popular.
Neste caso, a manipulação
da tradição e da história
atende a questões reais de convívio
urbano, às vezes até de sobrevivência,
construindo pouco a pouco a identidade
republicana do bem comum.
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