Vinhedo,
O TEMPO EM VINHEDO
   

José Carlos Ferragut
Engenheiro Civil Agrimensor
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Ana Silvia Pisoni Ferragut
Arquiteta Urbanista
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Alessandra Caldana Pisoni
Técnica em
transações imobiliárias



>> PRINCIPAIS ESTILOS ARQUITETÔNICOS<<


>> ESTILO MEDITERRÂNEO

A tradição grega, ao lado da tradição latina e a tradição bíblico-cristã, foi um dos elementos que definiram a Antiguidade tardia no período entre os séculos III e V. Com raízes fortificadas que tratavam da Ética e da ação racional, os ensinamentos gregos delinearam a imagem ocidental do homem que foi resgatada no humanismo do renascimento e suas três dimensões: a espiritual, a transcendente e a racional, fruto do conhecimento. Durante muitos séculos os países da área mediterrânea tinham feito parte do Império Romano, divididos entre zonas rurais e cidades prósperas, estas últimas partilhando a cultura grega e latina do Império. A tradição greco-romana se dissolveu pelo mediterrâneo até encontrar referências islâmicas, sendo bem aceitável uma estreita relação entre estes dois mundos em constante transformação, produtos de uma nova e original configuração cultural, transportada também para além-mar. Nos primeiros séculos de nossa era, o mundo mediterrâneo estava sendo invadido por toda sorte de doutrinas e cultos religiosos de procedência oriental. Já a fusão entre o mundo bíblico-cristão e o humanismo greco-romano, com possíveis absorções orientais, foi possível justamente pela idéia maior da transcendência espiritual, numa conversão que unia dois seres absolutos.
A arquitetura se valia de uma comunicação própria, podendo ser lida e compreendida através de seus sinais em trânsito. As casas árabes, por exemplo, eram construídas para serem observadas de dentro, a partir de seus pátios internos, e não de fora. Os elementos que realizavam a transição entre estes dois espaços eram as portas e as janelas, demonstrativos da posição social do morador. A porta era a principal característica externa: feita de ferro ou madeira, com batentes de pedra lavrada, e talvez uma janela acima, da qual os que chegavam poderiam ser vistos. As janelas eram vedadas com folhas de madeira e como nos conta Hourani (1994), chamava-se mashrabiyya o trabalho em treliça que fora difundido no Egito.
À medida que as soluções arquitetônicas vão se tornando uma linguagem comum compreendida e utilizada por diferentes culturas, adquirem também a amplitude do domínio público. A distância geográfica não é fator de impedimento para a apropriação e releitura de mensagens arquitetônicas que se deslocam de posições privilegiadas para atingirem o grande predomínio que é traduzido pelo gosto popular. Neste caso, a manipulação da tradição e da história atende a questões reais de convívio urbano, às vezes até de sobrevivência, construindo pouco a pouco a identidade republicana do bem comum.

Atenas, berço da Arquitetura Mediterrânea
 



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